| Mongaguá 2004 (ou Férias
Amaldiçoadas)
Surgida de um comentário em sala de
aula, as férias em Mongaguá foram das mais complicadas
de se realizar.
Ao cabo de quase 2 meses de negociação enfim
a idéia foi concretizada.
Apenas quatro incautos resolvem se aventurar nessa viagem
e são eles: eu, Sérgiô, Pavão (vulgo
Fernando) e Eduardo.
Foram longos dias de sol, mar, chinelos e óculos levados
pela correnteza, xampus estourados, que valeram muito a pena.
Esperamos uma nova oportunidade e com mais colegas!
| Ficha
da viagem
Onde: Mongaguá,
Litoral de São Paulo, casa do Pavão
Quando: 02/02/2004 a 07/02/2004
Número de pessoas: 4
Trilha sonora (pessoal, já que ninguém
levou nada!):
- Emerson, Lake & Palmer —
Live At Royal Albert Hall
- Eric Clapton — 24 Nights
- Pink Floyd — Delicate
Sound Of Thunder
- The Smiths — Coletânea
feita em casa
- The Who — Live At Leeds
Pontos turísticos visitados:
|
|
|
Tópicos notáveis
Índice de Maldições
Fotos
|
| A Ida
|
|
|
| |
|
|
Uma viagem quase normal...
Se não fosse pelo surgimento de um ato que perduraria
por toda a viagem: os calçados
voadores.
O Eduardo é um cara legal, mas às vezes
irrita.
Normalmente estamos todos na boa, conversando, quando
volta e meia a criatura vem e solta um "eu sou burro!",
"eu sou idiota!", "ah, eu não sei
fazer isso!". |
|
Dessa vez não deu. Logo nas férias? Não
tive dúvidas, arranquei o tênis do pé
e taquei mesmo, dentro do ônibus. Talvez assustando
ajudasse, mas vimos adiante que não foi dessa vez.
O ato se repetiria com toda a sorte de objetos, inclusive
em conjunto, como múltiplas chineladas. |
|
| |
|
|
| A chegada |
|
|
| |
|
|
Aqui começa a maldição.
50 chaves depois de abrir a casa, nosso estimado colega
Pavão percebe que estava sem o celular.
No bolso? Na mala? Não, muito provavelmente ficou
no ônibus de viagem...
Paciência, aí foi toda a burocracia pra bloquear
o bichinho e tentar achá-lo. Até agora,
sem resultado.
Mas a hipótese mais provável é que
ele esteja rodando por aí à procura de seu
dono... Afinal, quem iria querer um celular com SATAN
escrito no visor?
Antes que endemonizem nosso colega, aqui vai a explicação
pro SATAN... |
|
Tudo isso graças à tecnologia T9 de previsibilidade
de textos... Certa vez eu fui mudar alegremente o texto
da tela do celular dele, aí quando digito "pavão",
a primeira palavra predita é "satan".
Como arrancaram o celular da minha mão, ficou assim
mesmo! |
|
| |
|
|
| O primeiro almoço |
|
|
| |
|
|
Quatro marmanjos e quatro talharim's estilo
miojo pra fazer. Parece uma divisão justa, não?
Seria, se depois de cozinhar não descobríssemos
que os quatro sabores eram
diferentes!!!
Como a fome fala mais alto, o Eduardo não pensou
duas vezes antes de tacar os quatro temperos na panela
antes que alguém se opusesse.
Gororoba descida, estava pra começar definitivamente
a nossa estadia. |
|
Não podemos esquecer de que a pressão
ao nível do mar é maior que em São
Paulo, o que fez com que aquilo que se chamou de comida
levasse um tempo levemente menor pra cozinhar.
Piada detestavelmente desenterrada das épocas vestibuláveis,
seria motivo para piadas futuras: tudo era culpa da pressão. |
|
| |
|
|
| Segunda-feira e a segunda maldição |
|
|
| |
|
|
Sol
de rachar. Um paraíso pra quem tinha acabado de
sair da chuvosa São Paulo.
Fomos todos na fé de que o tempo melhoraria, e
parece que deu certo!
Não demorou muito pra descobrir que eu tinha esquecido
a roupa de cama, mas isso foi um detalhe...
Armados de protetores solares, os quatro branquelos caíram
na praia.
Quando digo "armados", para o Pavão a
palavra adquire um significado especial.
O cara usa protetor solar 50! Foi uma semana praticamente
blindado (alguém
lembra do Auri Shield? Acho que era isso que
ele usava)...
Todos ao mar... Eu não estava lá com aquele
ânimo de entrar na água, mas fui persuadido.
|
|
Bicho-do-mato com medo d'água, lá fomos
nós.
Realmente estava muito boa a água, fazia anos que
eu não via água do mar. Lá pelas
tantas, uma onda engole (dramático, não?)
todo o povo, e, também, os meus óculos...
Que idéia besta de ir pra praia de óculos!!!
E olha que acho que fui o último a perceber que
estava sem ele... Quando o Pavão gritou: "P***!!!
O óculos do Atoji!!!", já era tarde,
a essa altura Iemanjá já estaria enxergando
muito melhor. Tudo bem, são férias, o que
fazer?
Como bons paulistanos que somos, pedimos uma pizza pra
encerrar a noite.
Eduardo, em seu primeiro fora telefônico,
descobriu que a primeira pizzaria para a qual ligamos
estava fechada. Mas que diabos? O Eduardo pergunta: "É
da pizzaria?", ao que respondem: "É.".
Quando ele começa a fazer o pedido, dizem que está
fechada... Vai entender, só em Mongaguá
mesmo...
E vem mais histórias de delivery por aí... |
|
| |
|
|
| Terça-feira |
|
|
| |
|
|
Já faz um tempo que voltamos de
lá, já não lembro exatamente os dias
em que tudo aconteceu, mas vamos dar uma acochambrada...
Lembrem-se de em qualquer ocasião, não dormir
com o Eduardo em uma mesma beliche, pois corre-se o risco
de ser acordado inúmeras vezes durante o merecido
sono (só mesmo nas férias pra dormir)...
Disse ele que eu também quase derrubava a cama
de vez em quando, coisa que duvido... Enfim, evitem!
Nessa manhã que descobrimos o quão pesado
o sono do Sérgiô é...
Carinhosamente apelidado de bicho-preguiça, o Sérgiô
viria a dormir em qualquer lugar em que pudesse ficar
parado no decorrer da estadia em Mongaguá.
Para provar, vide foto do indivíduo dormindo
na praia com um livro na mão.
Em outra situação a criatura quase foi devorada
por um monte de pombos que se aglomerava por um local
(deviam ter achado que ele tinha batido as botas).
Todos acordados e diariamente agraciados com o suprimento
de bolachas fornecidos pelo Pavão, fomos fazer
nossas felizes compras num super(?)mercado das redondezas...
Muita comida saudável, é claro: hambúrgueres,
salsichas, coxinhas (essa tem história), batatas-fritas,
pães, sucos Camp (o Pavão adorou o sabor
uva aguada) e refrigerantes. Essa foi a primeira empreitada
gastronômica da semana. |
|
Como não se acorda cedo nas férias, precisávamos
de algo rápido pra comer. Eis que surge o cachorro-quente.
O sucesso na preparação da coisa (cozinhar
salsicha é tão difícil...) nos fez
até pensar que teríamos pleno sucesso alimentar
pelo resto da semana. Veríamos que estávamos
é plenamente enganados.
Aliás, o cachorro-quente inaugurou a temporada
de Teorias Gastronômicas.
O popular Sérgiô resolveu criar polêmica
ao incluir queijo em sua iguaria.
Após o devido alarde, Sérgiô já
estava ministrando aulas detalhadas de como envolver a
salsicha com o queijo (ops!). O sabor foi apreciado pelos
colegas, que adotaram definitivamente o processo desde
então.
Obviamente criou-se uma ala dissidente, fortemente contra
a adoção do processo que poderia se revelar
anti-econômico.
A partir daí surgiram novas e rebuscadas teorias
econômicas, motivadas por um simples cachorro-quente. |
|
|
|
|
Notou-se que a simples adição de aroma
de queijo à salsicha traria uma economia incrível,
o que enfureceu grandemente a ala tradicionalista que
prosseguia colocando cada vez mais queijo. A ala tradicional
estaria temerosa pela redução do número
de colocadores de queijo em salsicha e protestou contra
a adoção dos métodos modernizadores.
Enquanto isso a ala modernizadora-revolucionária
prosseguia buscando maior economia e eficiência
no processo do queijo, desta vez cortando mão-de-obra
e adicionando ainda o novo aroma de batata à salsicha,
pra economizar também com a batata-palha.
Ao fim da batalha, teríamos apenas um pão
aromatizado, a um custo notadamente inferior ao da concorrência,
que insistia no processo manual de recobrimento de salsichas.
Era o início de nossa era gastronômica.
Todos devidamente alimentados, fomos aguardar até
uma hora interessante de se ir para o mar.
Descobrimos um jogo de xadrez, um dominó e uns
quatro baralhos desorganizados que o Sérgiô
fez questão de organizar pelo QuickSort.
Estávamos para ver a pilha de recursão do
garoto estourar... |
|
O dia devia estar maravilhoso. Eu digo "devia"
porque não estava enxergando absolutamente nada!
Foi a primeira experiência aquática totalmente
cega, com razoável sucesso.
Apesar do medo de ser tragado pela furiosa correnteza
(a água batia na metade da canela), deu pra sentir
o gostinho do mar. Certas vezes, até literalmente...
Como odeio água salgada! E no olho então?
De repente, não mais que de repente, Sérgiô
surta e tem uma ataque de retorno
à infância. Flagramos nosso colega
construindo castelinhos de areia à beira-mar.
Não demorou muito até que todos se engajassem
na mais nova empreitada (sucedendo a gastronômica)
e passassem a construir um verdadeiro complexo nas areias
de Mongaguá. Divertido devia estar sendo para quem
passava...
Rolou até a construção do fictício
Bloco do C do IME, o que descaracterizou nossas atividades
como infantis, agora notadamente uma implícita
crítica ao sistema! vai explicar isso pra quem
tava passando... |
|
| |
|
|
| Quarta-feira e o purê de
arroz |
|
|
| |
|
|
Agora
sinceramente não lembro a ordem dos fatos...
Sei que estava ficando cada vez mais complicado acordar
o Sérgiô...
Apenas um prolongado "Séééééérgiôôôô!!!"
não estava sendo suficiente pra tirar a criatura
da cama...
Tentamos até um ecoante"Séééééérgiôôôô!!!"
triplo, sem resultados animadores.
Técnicas que viriam mais tarde seriam celular no
ouvido, travesseiradas e, finalmente, tentativas de derrubar
da cama, sendo esta a mais eficaz. Depois de uns 15 minutos
de esforço já era possível ver o
Sérgiô em uma posição mais
ou menos parecida com a vertical.
Acho que esse foi o dia do arroz
teórico. Éramos todos todos doutores
em cozinha teórica.
Cada um sabia fazer algo teoricamente, e o Eduardo era
o rapaz do arroz teórico.
Devidamente zoado por usar termos altamente técnicos
como "refogar", o garoto resolveu pôr
em prática seus dotes culinários. Coitados
de nós, obviamente. |
|
Sérgiô apelidou carinhosamente o resultado
dessa nova empreitada gastronômica de "purê
de arroz".
Imagine só o resultado... Faltou uma foto pra documentar
o feito. Mas, convenhamos, era um grande progresso pessoal,
e, como estávamos com fome, não havia do
que reclamar, não é mesmo? Melhor que nada...
Ou não, hoje em dia páro um pouco pra pensar...
Esse foi o dia ainda do omelete
pra batalhão.
Céus, nunca comemos tanto omelete em nossas vidas.
Tudo começou com um cálculo aproximado de
3 ovos por pessoa em cada omelete. Resultado: a dúzia
de ovos que tínhamos comprado foi usada de uma
só vez.
Sérgiô quando acordou levou um susto ao ver
uma panela com cerca de 10 cm de altura de omelete. No
improviso, consumiu-se omelete no pão, com arroz
e até mesmo sozinho pra ver se a panela esvaziava!
Foi necessário colocar na panela devido a desastres
ocorridos na preparação do mesmo, onde toneladas
de sal caíram sobre uma porção individual
de omelete. Com isso, ganhamos uma porção
conjunta e omelete pra toda vida.
Enfim, mas estava muito bom, cortesia de nosso colega
Pavão, favor pedir a receita pra ele.
E... O que seria de nós sem a modernidade?
|
|
|
|
|
Minha mãe teve a excelente idéia
de me mandar os óculos antigos via Sedex. Fala
a verdade, isso que é mãe, né? Porém...
Descobrimos que no pacato local não tinha Sedex
10 (aquele que entrega até as 10 horas do dia seguinte).
Acordei de madrugada (7 da manhã, veja só)
pra esperar o rapaz amarelo entregar algo que me aliviasse
a visão. Qual não foi a satisfação
ao receber os óculos às três da tarde!
E no meio do almoço ainda... Xingar? Derrubar a
moto? Múltiplas chineladas? Tudo obviamente deve
ter passado pela cabeça, mas demos um desconto
pro amarelinho, afinal, ele estava apenas fazendo (mal)
o seu trabalho...
E lá vamos nós pra praia novamente! Dessa
vez sem óculos, só pra garantir...
A praia à noite é um local bem interessante...
Costumávamos andar um tempão de um lado
pro outro, incialmente até Itanhaém, para
depois voltarmos... Um passeio altamente agradável
e recomendado pra todos aqueles que passarem férias
na praia.
Bom, não foi tão agradável assim
pro Eduardo, o desastre em pessoa. Depois de todos terem
pulado alegremente os cursos de água da rua que
desembocam na praia, só foi possível ouvir
o Eduardo, pulando por último: "ah, nããããããoooooo!!!".
|
|
Riso geral e prolongado: ao pular as águas o
Eduardo deixou um de seus chinelos
cair na água...! Depois de muito sarro e
lavado o chinelo o Eduardo teria mais cuidado ao pular
os córregos! Mas os chinelos dele ainda têm
história...
A essa altura eu já tinha convertido meu celular
em ICQ. Como viver sem essa
obra de arte do software da Internet???
Uma vez descoberto que era possível mandar gratuitamente
mensagens pela Rede, avisei amigos que ficaram em São
Paulo de tal possibilidade. Não tardou muito a
choverem mensagens (de graça até injeção
na testa) no aparelhinho, que tocava de segundo em segundo,
atiçando os nervos dos ocupantes do local.
Até agora contabilizei 52 mensagens de texto. Provavelmente
a conta telefônica pesará numa futura decisão
de conversão novamente!
Como desgraça pouca é bobagem, Sérgiô
teve grande êxtase ao descobrir que o seu frasco
de xampu tinha entornado
na sua mala! Aposto que até hoje o cheiro não
saiu da mala... Foi preciso mudar a bagagem de quarto
para que todos pudessem dormir em paz. |
|
| |
|
|
| Quinta-feira |
|
|
| |
|
|
Nas páginas amarelas dizia que no Poço
das Antas — atração turística
do local — haviam restaurantes, dentre outras
coisas. Apenas o fato de haver restaurantes foi um grande
estímulo que nos livraria de pelo menos uma possível
desastrosa refeição.
Na ocasião, teria sido a primeira experiência
coletiva com o "Trenzinho Roxo". Ok, que viadagem
é essa?
Definitivamente, não é culpa nossa, mas
é um transporte coletivo de Mongaguá que
passa boa parte junto à praia, em direção
ao centro.
Entenda-se "transporte coletivo" por aproximação,
pois normalmente eram caminhões velhos com bancos
de madeira na carroceria, andando na incrível
velocidade de 5 km/h.
Acha que é exagero? Em uma das ocasiões
não só o Sérgiô como o Eduardo
dormiram dentro do comboio pseudo-motorizado...
A
distância de 8 km até o centro parecia
cada vez maior, e nos deixou mais desolado ainda quando
um garoto de bicicleta ultrapassou a lata velha...
Lembre-se de não confiar nos cobradores desse
transporte em mongaguá.
Para identificá-los, basta procurar por um sujeito
com cara de "mano" ("mano" em Mongaguá
é dose...) segurando um bloquinho.Depois de um
longo período de sacolejadas descobrimos que
o Poço das Antas já tinha ficado muito
pra trás, porque a anta (percebe o trocadilho?)
do trenzinho não nos avisou de onde deveríamos
descer.
|
|
Tudo
bem, é férias, tenhamos paciência
e voltemos tudo a pé...
Talvez tenha sido relativa sorte dar de cara com um posto
de informações no meio do caminho.
Sorte nossa, não da atendente do posto, que foi
violentamente ofendida com a pergunta "Você
sabe onde fica o Poço da Antas?" desferida
pelo nosso colega Pavão. Oras, mas é lógico
que sabe, ela está lá pra que???
O Sérgiô não se acabava de rir e encher
nosso nobre colega, que desdenhava da função
da atendente.
Quase 2 km de estrada depois, uma placa indicava o Poço
das Antas.
Estávamos pra descobrir que não era um passeio
para ser feito por pessoas desmotorizadas...
Até chegar no local, um tortuoso caminho com relativa
quantidade de material pegajoso não-identificado
impregnava os quatro rapazes. Fora a ameaça de
tomar umas pedradas na cabeça, já que nas
redondezas os caras produziam isso. O pior estaria pra
vir na volta...
Foi então que no meio do caminho descobrimos uma
placa no meio do mato escrito: "Proibido...".
Não dava pra ver direito, pensávamos que
era algo do tipo "proibido jogar lixo". Ao chegar
mais perto pudemos ver com clareza: "Proibido
cultos religiosos". |
|
| |
|
|
Por que diabos (ops!) alguém proibiria cultos
religiosos? Vai saber, mas... Tem mais...
Finalmente chegamos ao Poço das Antas, e somos
cada um assaltados em R$ 2,00.
Ao sairmos lá pelas 17 h, descobriríamos
que a portaria estava fechada e era possível
entrar livremente. Pequenos detalhes que fizeram nossa
estadia mais feliz.
Tudo bem, tudo bem, era um local bem interessante...
Bastante verde, piscinas naturais, pedras, cama-elástica
(hein?), pula-pula (han?) e um grande aviso: PROIBIDO
CULTOS RELIGIOSOS. Esse foi a gota, seria piada pro
resto da semana...
Que trauma de cultos religiosos será que esse
povo tem?
Enfim, tomamos bem o cuidado de não esboçar
nenhum sinal-da-cruz bem como de não ajoelhar
para não sermos apanhados em flagrante.
Como eu estava azedo no dia, não quis entrar
nas piscinas de água corrente que, segundo relatos,
estavam com a água bem fria. Descobririam mais
tarde que essa estava até quente...
Por ser perto da hora do almoço, fomos lá
matar a nossa fome...
Como o Sérgiô diria, quem vai pra praia
e não come camarão, não foi pra
praia...
E comemos nossa porçãozinha de camarão,
que estava muito boa, por sinal.
|
|
Claro que isso não foi o suficiente, e, emendando
com o quarto litro de refrigerante cada um pediu mais
um sanduíche, ficando todos felizes e de barriga
cheia.
O Eduardo ficou mais feliz ainda, porque finalmente
tomou uma caipirinha, depois de tanto perseguir uma
bebida alcoólica... Esse aí é o
legítimo pé-de-cana... Fora as conversas
de bêbado estilo: "não, mas se for
me comparar com os outros...". Tenha a santa paciência,
Eduardo! Ah, vale lembrar que ele ficou alegre mesmo
antes de tomar a caipirinha, foi algo impressionante,
imagine o teor alcoólico disso...
Agora é que começa a aventura...
No meio da mata tinha uma trilha, tinha uma trilha no
meio da mata... E lá fomos nós, devidamente
lambuzados de repelente contra insetos, que não
teve lá grande efeito.
|
|
|
|
|
A trilha subia, subia, subia... Logo de
início tinha uma pontezinha com uns frágeis
apoios (e, suponho, frágeis sustentações!).
Só pra constar, não tenho medo de altura,
tenho pavor.
Mas, enfim, essa passagem seria tranqüila perto do
que estaria pra vir... Lá pelas tantas tem uma
passagem estreita sem apoios por cima de um buraco...
Com meu óculos do Sedex, não estava acostumado
com a nova noção de distância, achei
que a passagem era pequena, mas foi só entrar nela
pra ter a nítida sensação de que
ela teria crescido umas três vezes...
Travei e entrei em desespero. Suando frio e esbravejando,
passei por essa maldição e já temia
pela volta...
Mais um tempo de caminhada e somos presenteados com um
aviso da Sabesp (isso mesmo, no meio do mato) indicando
o fim de nossa caminhada. Mas, Eduardo e Pavão,
com seus espíritos aventureiros descobriram uma
descida que supostamente era uma trilha, e lá foram
os dois... E assim foi o Sérgiô e eu, forçadamente.
Pela suposta trilha escorria um pouco de água,
e era fácil escorregar.
Nessa hora todos reconheceram que meu hábito de
andar de tênis era realmente valioso.
No fim do caminho haviam mais piscinas naturais e muito
bonitas, inclusive (vide foto). |
|
Depois de passar um tempo, Eduardo e Pavão resolvem
seguir o caminho das águas (poético, não?)
para voltar lá pra baixo, enquanto eu arrasto o
Sérgiô pra voltar pelo mesmo caminho de ida.
A essa altura estávamos todos já devorados
pelos insetos.
Como não poderia faltar uma maldição,
o chinelo de estimação do Sérgiô
arrebenta...
Seria um longo e tortuoso caminho de volta à civilização...
Novamente em terra firme, esperamos pela chegada das criaturas
remanescentes.
Um tempo razoável esperando e nada de Eduardo e
Pavão aparecerem, até que do meio das pedras
surgem os dois e, digamos, em um lugar bem alto!
Estávamos torcendo apra ambos pularem, mas não
foi algo que se concretizou.
O máximo que aconteceu foi ver o Pavão escorregando
pelas pedras de uma maneira pouco usual. Pena que não
deu tempo de tirar fotos! |
|
|
|
|
Os
dois no meio do caminho teriam se aventurado bem, saltando,
escorregando e, claro, o Eduardo teve de salvar seus chinelos
que quase foram levados pela correnteza outra vez.
E nada de fim do passeio, seguindo a dica da criatura
do quiosque em que almoçamos, fomos perseguir a
tal queda d'água na gruta... Mais um mini-tortuoso
caminho e chega-se no tal lugar.
Apesar do desdém, Sérgiô adentra o
local e quase se arrepende de sua existência ao
ser presenteado com água em temperatura de congelamento
na cabeça. Eduardo e Pavão não deixaram
barato e também encaram o banho de água
gelada.
Agora sim, fim de passeio! Mais alguns sorvetes de praxe
e lá foi Sérgiô caminhando sem chinelos
pelas pedrinhas do caminho até a estrada. Seu espírito
deve ter sido purificado (será por isso que proíbem
cultos religiosos?) até a chegada na civilização.
|
|
Sérgiô teria sua vida mudada completamente
ao se deparar com uma loja de calçados no caminho:
seria sua primeira aquisição de um legítimo
par de Havaianas!
E nada de Trenzinho Roxo no caminho... Lá pelas
tantas, depois de termos andado numa velocidade em muito
superior à do Trenzinho, é que passou
uma tranqueira dessas. E lá fomos sacolejando
em direção ao lar, doce lar...
E nada como propagandas pregadas na porta da geladeira!
Descobrimos uma sorveteria que vendia picolés
por atacado, e compramos logo 40 de uma só
vez.
Posteriormente viríamos a adquirir mais 12 (para
um só dia), fora os outros já consumidos.
Foram exatamente 68 picolés trucidados em menos
de 3 dias, segundo as contas do Sérgiô.
Na ocasião surgiria também a lenda do
temível "Homem do
Sorvete".
Por algum motivo, quando fomos eu e o Pavão comprar
os sorvetes, o funcionário da loja, conversando
conosco, soltou que sabia que estávamos de férias
em quatro pessoas (e ele conhecia a casa, de entregas
passadas).
|
|
|
|
|
Desde então tivemos de redobrar
os cuidados com a segurança, e, ao menor ruído
estranho pela casa, era motivo pra ressurgir a lenda do
"Homem do Sorvete".
Como talvez faltasse maldição para o Eduardo,
o chuveiro foi logo quebrar enquanto ele tomava banho!
Pobre garoto... Pobre de todos nós no dia seguinte
que teríamos de tomar banho frio!
Esquecemos de comprar um chuveiro novo...
Enfim choveu no final da noite. Chuva que duraria boa
parte do dia seguinte! Estávamos decididos a ir
embora no sábado.
Porém, desde quando chuva
é sinal de mau tempo? Pro Eduardo e pro Sérgiô
não são.
Seguindo à risca a idéia de que quando se
vai à praia não se fica um dia sem entrar
no mar, os dois ainda deram uns bons mergulhos, mesmo
chovendo e com água fria. Água fria
que, segundo eles, estava era quente perto daquela que
caía da queda d'água da trilha! |
|
Apesar das incessantes tentativas de arrastar eu e o Pavão
para o mar, ambos resistimos bravamente.
Prosseguimos com a leitura das intermináveis Superinteressantes
que haviam no local. Intermináveis e desatualizadas!
Era comum pegar alguém lendo uma edição
de 1993, por exemplo...
Ao menos curiosidades não faltaram, inclusive a
descoberta do Sérgiô, que bateu o olho num
mapa da Ilha de Java e achou a cidade de Jakarta!!! É
Apache Vacation Project na veia... |
|
| |
|
|
| Sexta-feira |
|
|
| |
|
|
| Definitivamente
o banho frio combinado com a chuva apressou as idéias
de ir embora mais cedo (pelo menos pra mim)!
Com essa chuva toda nada mais justo que um carteado
básico...
Essas férias foram extremamente proveitosas em
termos de jogatina, já que aprendi uma meia-dúzia
de jogos que não conhecia. Aprendi também
que deve se tomar muito cuidado com o Eduardo, porque
esse aí rouba no
jogo que só vendo! Era perder a atenção
por cinco minutos que a criatura enfiava meio baralho
dentro da bermuda! Uma habilidade, no mínimo,
assustadora.
Enfim, uma vez decidido ir embora no sábado,
deveríamos liquidar com o que tinha sobrado de
comida estocada, e assim foi feito.
Teria sido melhor, não fosse a vedete gastronômica
das férias: a torta de
coxinhas. Alguém consegue imaginar isso?
Pois não tente, meu estômago revira só
de lembrar. Foi só deixar o Pavão e o
Eduardo sozinho pra eles aprontarem!
Saímos eu e o Sérgiô pra fazer umas
compras finais, e quando voltamos nos deparamos com
a "torta" em cima da mesa.
|
|
Como alguém consegue transformar um punhado
de coxinhas em uma torta? Eles conseguiram — por
acidente, obviamente.
Depois de escorrerem o óleo seguidamente, ainda
havia uma poça razoável no prato onde repousava
a proeza. Bom, fazer o que? Estrago feito, o negócio
era ingerir a gororoba...
Ao menos o Pavão fez uns hambúrgueres que
saíram inteiros e o Eduardo fez um novo protótipo
de arroz, dessa vez menos parecido com purê e mais
com arroz.
Claro que não poderíamos deixar essa estadia
passar sem um churrasco!
Decidimos então que faríamos no sábado,
antes de voltarmos pra São Paulo.
Durante a tarde resolvemos pedir a carne pra que entregassem,
já que estava chovendo.
Eduardo, porta-voz telefônico, foi incumbido da
tarefa. Infelizmente não nos tocamos que picanha
só é vendida em peças e o coitado
teve que agüentar a gozação da mulher
do açougue!
Esse foi o segundo fora
telefônico... 
Depois ainda houve uma pequena disputa pela quantidade
de carne a ser pedida, que só foi resolvida mais
tarde, depois de muita discussão. Discussão
proveitosa, aliás, pois a quantidade de carne veio
na medida! |
|
|
|
|
Enfim, mas esse foi o primeiro dos contratempos.
Umas duas horas depois de confirmado o pedido, cadê
a carne? Nem sinal... Ao ligar lá se verificou
que a anta do moto-boy não tinha encontrado o
endereço e voltou pro açougue (olha que
serviço de primeira classe, nem ligam de volta
pra avisar). Tudo bem, acontece, pedimos que voltasse
mais uma vez. E voltou? Voltou e não achou de
novo! É o cúmulo da estupidez, o cara
viu duas casas, ficou em dúvida entre as duas
e não tocou em nenhuma! Aí, já
quase cinco horas depois do pedido lá chegava
a carne dez horas da noite!
Moral da história: cuidado ao comprar carnes
na Casa de Carnes Mongaguá.
Decidimos então fazer o churrasco naquele horário
mesmo, já que deu tanto trabalho... A planejada
macarronada ficaria pra véspera da viagem, afinal,
é mais leve e mais fácil de preparar.
E dez da noite estávamos lá nos aventurando
no churrasco. Assumi o posto de churrasqueiro e demos
um novo significado ao BCC: Bacharelado
em Churrasco da Computação.
Foi difícil limpar a grelha que estava lá,
que o diga o Eduardo que usou um bombril e ficou alguns
dias cheirando palha de aço. Enfim, enquanto
o fogo acendia a gente pelejava com a grelha. Incrivelmente
a estratégia de acender o fogo deu certo, ainda
mais porque lá tinha um lendário álcool
96 GL.
|
|
Primeiros espetos na brasa e uma discussão sobre
se o espeto deveria ficar marrom ou vermelho. Ganhei
a discussão com o vermelho, afinal eu comandava
o negócio e vi que tava queimando! Mas ficou
jóia, daí logo vieram os bifes de picanha,
lingüiças e coração de frango,
muito bons!
Um bife caiu no carvão, mas todo mundo comeu
sem reclamar, consegui recuperar a tempo!
Enquanto a carne chiava, "interessantes" histórias
sobre internações hospitalares circulavam
ali: Eduardo e sua operação cardíaca,
Sérgiô e a endoscopia, Pavão e os
cigarros da família.
Acabada a carne, era hora de deglutir mais uma leva
de picolés, sem dúvida um dos maiores
achados dessas férias!
Fui dormir cheirando churrasco, mas feliz.
E sábado é um novo dia...
|
|
| |
|
|
| Sábado |
|
|
| |
|
|
Como
já tinha acabado nosso suprimento de picolés,
tivemos que comprar mais uma dúzia de emergência.
A macarronada por pouco não entra pra Teoria Gastronômica,
se não fosse tão fácil de preparar.
mas mesmo assim, surgiram teorias mirabolantes sobre o
cozimento do macarrão, e algumas pessoas descobriram
incrivelmente o que era um escorredor de macarrão!
Se mostrar de onde vem o leite, eles não acreditam.
Enfim, fizemos o nosso "al dente" com muito
sucesso, pra fechar bem a semana, logo depois daquele
ótimo churrasco. O molho, anote aí, levou
3/4 de copo de requeijão cremoso e ficou muito
bom. Tão bom que o Pavão não pensou
duas vezes antes de arrebatar a panela e perguntar se
alguém queria! Vamos dar um desconto porque afinal
ele é o dono da casa...
Dia de limpeza! E dá-lhe desinfetante pela casa,
varridas, lavação de louças... Ficou
tudo tinindo, num esforço conjunto e bem distribuído.
Tudo certo em casa, faltavam apenas os milhões
de cadeados e chaves para irmos embora... Trabalho pro
Pavão evitar a entrada do homem do sorvete.
|
|
E dá-lhe Trenzinho Roxo mais uma vez... Até
que não demorou muito pra passar, mas pra chegar
foi o mesmo deus-nos-acuda. Devia estar engraçada
a cena daquele povo com malas enormes no trenzinho. Só
pra constar, a minha era a mais econômica de todas!
Na rodoviária, descobrimos que deveríamos
ser recebidos com "urbanidade" pelos "prepostos"
da "transportadora"! O que não é
um pouco de lição de português, não
é mesmo? Até hoje ninguém teve coragem
de olhar no dicionário o que vem a ser os tais
"prepostos", mas para tanto foi eleito o motorista!
Descobrimos ainda que havia passagens com lugares duplicados,
o que não condiz muito com a "urbanidade"
com a qual deveríamos ter sido atendidos. Com a
mesma "urbanidade" tomamos o cuidado de sentar
em lugares não devidamente marcados.
Fim de viagem! Todos para o metrô, o Eduardo ainda
iria pro Tietê e depois ainda pra Paulínia!
Que aventura... Ficamos por aqui, agradecimentos
ao Pavão e sua família por ter cedido a
casa para a temporada! Valeu! |
| |
|
|
| Glossário |
|
|
| |
|
|
| Dada a existência de numerosos
termos técnicos e/ou desconhecidos neste texto,
elaboramos este glossário para eventuais esclarecidas.
BCC — Bacharelado em Churrasco
da Computação.
QuickSort — Algoritmo rápido
(jura?) de ordenação, que utiliza a técnica
de "divisão e conquista", sendo ainda
recursivo. Se você não sabe o que é
algoritmo, desista, o trecho de texto não é
pra você. Se sabe o que é, pode pegar o
código do QuickSort aqui.
Preposto — [Do lat. vulg. praepostu.]
Adj. 1. Posto adiante ou antes. 2. Anunciado ou dado
previamente. 3. Preferido. * S. m. 4. Aquele que dirige
um serviço, um negócio, por delegação
da pessoa competente; institor. [Cf. preposição
(3) e preponente (2).] 5. Bras. Representante, delegado:
O preposto do bispo não mereceu a confiança
da congregação. [Cf. proposto.]. |
|
Pressão — Pressão
atmosférica, medida em Pascal (Pa) no Sistema
Internacional (SI).
Refogar — Pergunte para o Eduardo.
Transportadora — [F. subst.
de transportador.] S. f. Bras. 1. Firma ou empresa especializada
em transportes de cargas: "De Jerônimo, chofer
recifense da transportadora Ristar, da linha Recife-São
Paulo, conta-se que foi multado na capital paulista
por excesso de buzina" (Marcos Vinícios
Vilaça, Em Torno da Sociologia do Caminhão,
p. 31).
Urbanidade — [Do lat. urbanitate.]
S. f. 1. Qualidade de urbano; civilidade, cortesia,
afabilidade.
("Preposto", "Transportadora" e
"Urbanidade" retirados do Dicionário
Aurélio) |
| |
|
|
| Elenco |
|
|
| |
|
|
Eis as criaturas participantes dessa viagem:
Eduardo Gusmão Caceres Pires (eduardop)
Fernando Bertolli Petroni (incognit) — Pavão
Rodolpho Iemini Atoji (ratoji)
Sérgio Lopes Júnior (lopes) — Sérgiô |
|
|
| |
|
|
|