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Mongaguá 2004 (ou Férias Amaldiçoadas)

Surgida de um comentário em sala de aula, as férias em Mongaguá foram das mais complicadas de se realizar.
Ao cabo de quase 2 meses de negociação enfim a idéia foi concretizada.
Apenas quatro incautos resolvem se aventurar nessa viagem e são eles: eu, Sérgiô, Pavão (vulgo Fernando) e Eduardo.
Foram longos dias de sol, mar, chinelos e óculos levados pela correnteza, xampus estourados, que valeram muito a pena. Esperamos uma nova oportunidade e com mais colegas!

Ficha da viagem

Onde: Mongaguá, Litoral de São Paulo, casa do Pavão
Quando: 02/02/2004 a 07/02/2004
Número de pessoas: 4
Trilha sonora (pessoal, já que ninguém levou nada!):

  • Emerson, Lake & Palmer — Live At Royal Albert Hall
  • Eric Clapton — 24 Nights
  • Pink Floyd — Delicate Sound Of Thunder
  • The Smiths — Coletânea feita em casa
  • The Who — Live At Leeds

Pontos turísticos visitados:

  • Poço das Antas

Tópicos notáveis

Índice de Maldições

Fotos


A Ida    
     
Uma viagem quase normal...
Se não fosse pelo surgimento de um ato que perduraria por toda a viagem: os calçados voadores.
O Eduardo é um cara legal, mas às vezes irrita.
Normalmente estamos todos na boa, conversando, quando volta e meia a criatura vem e solta um "eu sou burro!", "eu sou idiota!", "ah, eu não sei fazer isso!".
  Dessa vez não deu. Logo nas férias? Não tive dúvidas, arranquei o tênis do pé e taquei mesmo, dentro do ônibus. Talvez assustando ajudasse, mas vimos adiante que não foi dessa vez. O ato se repetiria com toda a sorte de objetos, inclusive em conjunto, como múltiplas chineladas.

     
A chegada    
     
Aqui começa a maldição.
50 chaves depois de abrir a casa, nosso estimado colega Pavão percebe que estava sem o celular.
No bolso? Na mala? Não, muito provavelmente ficou no ônibus de viagem...
Paciência, aí foi toda a burocracia pra bloquear o bichinho e tentar achá-lo. Até agora, sem resultado.
Mas a hipótese mais provável é que ele esteja rodando por aí à procura de seu dono... Afinal, quem iria querer um celular com SATAN escrito no visor?
Antes que endemonizem nosso colega, aqui vai a explicação pro SATAN...
  Vista da praia de dentro da casa do Pavão Tudo isso graças à tecnologia T9 de previsibilidade de textos... Certa vez eu fui mudar alegremente o texto da tela do celular dele, aí quando digito "pavão", a primeira palavra predita é "satan".
Como arrancaram o celular da minha mão, ficou assim mesmo!


     
O primeiro almoço    
     
Quatro marmanjos e quatro talharim's estilo miojo pra fazer. Parece uma divisão justa, não?
Seria, se depois de cozinhar não descobríssemos que os quatro sabores eram diferentes!!!
Como a fome fala mais alto, o Eduardo não pensou duas vezes antes de tacar os quatro temperos na panela antes que alguém se opusesse.
Gororoba descida, estava pra começar definitivamente a nossa estadia.

  Não podemos esquecer de que a pressão ao nível do mar é maior que em São Paulo, o que fez com que aquilo que se chamou de comida levasse um tempo levemente menor pra cozinhar.
Piada detestavelmente desenterrada das épocas vestibuláveis, seria motivo para piadas futuras: tudo era culpa da pressão.

     
Segunda-feira e a segunda maldição    
     
Eduardo apanhando do Pavão no frescobolSol de rachar. Um paraíso pra quem tinha acabado de sair da chuvosa São Paulo.
Fomos todos na fé de que o tempo melhoraria, e parece que deu certo!
Não demorou muito pra descobrir que eu tinha esquecido a roupa de cama, mas isso foi um detalhe...
Armados de protetores solares, os quatro branquelos caíram na praia.
Quando digo "armados", para o Pavão a palavra adquire um significado especial.
O cara usa protetor solar 50! Foi uma semana praticamente blindado (alguém lembra do Auri Shield? Acho que era isso que ele usava)...
Todos ao mar... Eu não estava lá com aquele ânimo de entrar na água, mas fui persuadido.

  Bicho-do-mato com medo d'água, lá fomos nós.
Realmente estava muito boa a água, fazia anos que eu não via água do mar. Lá pelas tantas, uma onda engole (dramático, não?) todo o povo, e, também, os meus óculos...
Que idéia besta de ir pra praia de óculos!!! E olha que acho que fui o último a perceber que estava sem ele... Quando o Pavão gritou: "P***!!! O óculos do Atoji!!!", já era tarde, a essa altura Iemanjá já estaria enxergando muito melhor. Tudo bem, são férias, o que fazer?
Como bons paulistanos que somos, pedimos uma pizza pra encerrar a noite.
Eduardo, em seu primeiro fora telefônico, descobriu que a primeira pizzaria para a qual ligamos estava fechada. Mas que diabos? O Eduardo pergunta: "É da pizzaria?", ao que respondem: "É.". Quando ele começa a fazer o pedido, dizem que está fechada... Vai entender, só em Mongaguá mesmo...
E vem mais histórias de delivery por aí...

     
Terça-feira    
     
Já faz um tempo que voltamos de lá, já não lembro exatamente os dias em que tudo aconteceu, mas vamos dar uma acochambrada...
Lembrem-se de em qualquer ocasião, não dormir com o Eduardo em uma mesma beliche, pois corre-se o risco de ser acordado inúmeras vezes durante o merecido sono (só mesmo nas férias pra dormir)... Disse ele que eu também quase derrubava a cama de vez em quando, coisa que duvido... Enfim, evitem!
Nessa manhã que descobrimos o quão pesado o sono do Sérgiô é...
Carinhosamente apelidado de bicho-preguiça, o Sérgiô viria a dormir em qualquer lugar em que pudesse ficar parado no decorrer da estadia em Mongaguá.
Para provar, vide foto do indivíduo dormindo na praia com um livro na mão.
Em outra situação a criatura quase foi devorada por um monte de pombos que se aglomerava por um local (deviam ter achado que ele tinha batido as botas).
Todos acordados e diariamente agraciados com o suprimento de bolachas fornecidos pelo Pavão, fomos fazer nossas felizes compras num super(?)mercado das redondezas...
Muita comida saudável, é claro: hambúrgueres, salsichas, coxinhas (essa tem história), batatas-fritas, pães, sucos Camp (o Pavão adorou o sabor uva aguada) e refrigerantes. Essa foi a primeira empreitada gastronômica da semana.

  Sérgiô tirando aquele cochilo... Como não se acorda cedo nas férias, precisávamos de algo rápido pra comer. Eis que surge o cachorro-quente.
O sucesso na preparação da coisa (cozinhar salsicha é tão difícil...) nos fez até pensar que teríamos pleno sucesso alimentar pelo resto da semana. Veríamos que estávamos é plenamente enganados.
Aliás, o cachorro-quente inaugurou a temporada de Teorias Gastronômicas. O popular Sérgiô resolveu criar polêmica ao incluir queijo em sua iguaria.
Após o devido alarde, Sérgiô já estava ministrando aulas detalhadas de como envolver a salsicha com o queijo (ops!). O sabor foi apreciado pelos colegas, que adotaram definitivamente o processo desde então.
Obviamente criou-se uma ala dissidente, fortemente contra a adoção do processo que poderia se revelar anti-econômico.
A partir daí surgiram novas e rebuscadas teorias econômicas, motivadas por um simples cachorro-quente.

   
Notou-se que a simples adição de aroma de queijo à salsicha traria uma economia incrível, o que enfureceu grandemente a ala tradicionalista que prosseguia colocando cada vez mais queijo. A ala tradicional estaria temerosa pela redução do número de colocadores de queijo em salsicha e protestou contra a adoção dos métodos modernizadores. Enquanto isso a ala modernizadora-revolucionária prosseguia buscando maior economia e eficiência no processo do queijo, desta vez cortando mão-de-obra e adicionando ainda o novo aroma de batata à salsicha, pra economizar também com a batata-palha.
Ao fim da batalha, teríamos apenas um pão aromatizado, a um custo notadamente inferior ao da concorrência, que insistia no processo manual de recobrimento de salsichas. Era o início de nossa era gastronômica.
Todos devidamente alimentados, fomos aguardar até uma hora interessante de se ir para o mar.
Descobrimos um jogo de xadrez, um dominó e uns quatro baralhos desorganizados que o Sérgiô fez questão de organizar pelo QuickSort. Estávamos para ver a pilha de recursão do garoto estourar...

  O dia devia estar maravilhoso. Eu digo "devia" porque não estava enxergando absolutamente nada!
Foi a primeira experiência aquática totalmente cega, com razoável sucesso.
Apesar do medo de ser tragado pela furiosa correnteza (a água batia na metade da canela), deu pra sentir o gostinho do mar. Certas vezes, até literalmente... Como odeio água salgada! E no olho então?
De repente, não mais que de repente, Sérgiô surta e tem uma ataque de retorno à infância. Flagramos nosso colega construindo castelinhos de areia à beira-mar.
Não demorou muito até que todos se engajassem na mais nova empreitada (sucedendo a gastronômica) e passassem a construir um verdadeiro complexo nas areias de Mongaguá. Divertido devia estar sendo para quem passava...
Rolou até a construção do fictício Bloco do C do IME, o que descaracterizou nossas atividades como infantis, agora notadamente uma implícita crítica ao sistema! vai explicar isso pra quem tava passando...

     
Quarta-feira e o purê de arroz    
     
Sérgiô posando para fotos pouco antes de mergulhar em sono profundo.Agora sinceramente não lembro a ordem dos fatos...
Sei que estava ficando cada vez mais complicado acordar o Sérgiô...
Apenas um prolongado "Séééééérgiôôôô!!!" não estava sendo suficiente pra tirar a criatura da cama...
Tentamos até um ecoante"Séééééérgiôôôô!!!" triplo, sem resultados animadores.
Técnicas que viriam mais tarde seriam celular no ouvido, travesseiradas e, finalmente, tentativas de derrubar da cama, sendo esta a mais eficaz. Depois de uns 15 minutos de esforço já era possível ver o Sérgiô em uma posição mais ou menos parecida com a vertical.
Acho que esse foi o dia do arroz teórico.
Éramos todos todos doutores em cozinha teórica.
Cada um sabia fazer algo teoricamente, e o Eduardo era o rapaz do arroz teórico.
Devidamente zoado por usar termos altamente técnicos como "refogar", o garoto resolveu pôr em prática seus dotes culinários. Coitados de nós, obviamente.

  Sérgiô apelidou carinhosamente o resultado dessa nova empreitada gastronômica de "purê de arroz".
Imagine só o resultado... Faltou uma foto pra documentar o feito. Mas, convenhamos, era um grande progresso pessoal, e, como estávamos com fome, não havia do que reclamar, não é mesmo? Melhor que nada... Ou não, hoje em dia páro um pouco pra pensar...
Esse foi o dia ainda do omelete pra batalhão.
Céus, nunca comemos tanto omelete em nossas vidas. Tudo começou com um cálculo aproximado de 3 ovos por pessoa em cada omelete. Resultado: a dúzia de ovos que tínhamos comprado foi usada de uma só vez.
Sérgiô quando acordou levou um susto ao ver uma panela com cerca de 10 cm de altura de omelete. No improviso, consumiu-se omelete no pão, com arroz e até mesmo sozinho pra ver se a panela esvaziava!
Foi necessário colocar na panela devido a desastres ocorridos na preparação do mesmo, onde toneladas de sal caíram sobre uma porção individual de omelete. Com isso, ganhamos uma porção conjunta e omelete pra toda vida.
Enfim, mas estava muito bom, cortesia de nosso colega Pavão, favor pedir a receita pra ele.
E... O que seria de nós sem a modernidade?

   
Minha mãe teve a excelente idéia de me mandar os óculos antigos via Sedex. Fala a verdade, isso que é mãe, né? Porém... Descobrimos que no pacato local não tinha Sedex 10 (aquele que entrega até as 10 horas do dia seguinte). Acordei de madrugada (7 da manhã, veja só) pra esperar o rapaz amarelo entregar algo que me aliviasse a visão. Qual não foi a satisfação ao receber os óculos às três da tarde! E no meio do almoço ainda... Xingar? Derrubar a moto? Múltiplas chineladas? Tudo obviamente deve ter passado pela cabeça, mas demos um desconto pro amarelinho, afinal, ele estava apenas fazendo (mal) o seu trabalho...
E lá vamos nós pra praia novamente! Dessa vez sem óculos, só pra garantir...
A praia à noite é um local bem interessante... Costumávamos andar um tempão de um lado pro outro, incialmente até Itanhaém, para depois voltarmos... Um passeio altamente agradável e recomendado pra todos aqueles que passarem férias na praia.
Bom, não foi tão agradável assim pro Eduardo, o desastre em pessoa. Depois de todos terem pulado alegremente os cursos de água da rua que desembocam na praia, só foi possível ouvir o Eduardo, pulando por último: "ah, nããããããoooooo!!!".

  Riso geral e prolongado: ao pular as águas o Eduardo deixou um de seus chinelos cair na água...! Depois de muito sarro e lavado o chinelo o Eduardo teria mais cuidado ao pular os córregos! Mas os chinelos dele ainda têm história...
A essa altura eu já tinha convertido meu celular em ICQ. Como viver sem essa obra de arte do software da Internet???
Uma vez descoberto que era possível mandar gratuitamente mensagens pela Rede, avisei amigos que ficaram em São Paulo de tal possibilidade. Não tardou muito a choverem mensagens (de graça até injeção na testa) no aparelhinho, que tocava de segundo em segundo, atiçando os nervos dos ocupantes do local.
Até agora contabilizei 52 mensagens de texto. Provavelmente a conta telefônica pesará numa futura decisão de conversão novamente!
Como desgraça pouca é bobagem, Sérgiô teve grande êxtase ao descobrir que o seu frasco de xampu tinha entornado na sua mala! Aposto que até hoje o cheiro não saiu da mala... Foi preciso mudar a bagagem de quarto para que todos pudessem dormir em paz.

     
Quinta-feira    
     

Nas páginas amarelas dizia que no Poço das Antas — atração turística do local — haviam restaurantes, dentre outras coisas. Apenas o fato de haver restaurantes foi um grande estímulo que nos livraria de pelo menos uma possível desastrosa refeição.
Na ocasião, teria sido a primeira experiência coletiva com o "Trenzinho Roxo". Ok, que viadagem é essa?
Definitivamente, não é culpa nossa, mas é um transporte coletivo de Mongaguá que passa boa parte junto à praia, em direção ao centro.
Entenda-se "transporte coletivo" por aproximação, pois normalmente eram caminhões velhos com bancos de madeira na carroceria, andando na incrível velocidade de 5 km/h.
Acha que é exagero? Em uma das ocasiões não só o Sérgiô como o Eduardo dormiram dentro do comboio pseudo-motorizado...
Mais piscinasA distância de 8 km até o centro parecia cada vez maior, e nos deixou mais desolado ainda quando um garoto de bicicleta ultrapassou a lata velha...
Lembre-se de não confiar nos cobradores desse transporte em mongaguá.
Para identificá-los, basta procurar por um sujeito com cara de "mano" ("mano" em Mongaguá é dose...) segurando um bloquinho.Depois de um longo período de sacolejadas descobrimos que o Poço das Antas já tinha ficado muito pra trás, porque a anta (percebe o trocadilho?) do trenzinho não nos avisou de onde deveríamos descer.

  Sérgiô, Pavão e Eduardo em piscina natural do Poço das AntasTudo bem, é férias, tenhamos paciência e voltemos tudo a pé...
Talvez tenha sido relativa sorte dar de cara com um posto de informações no meio do caminho.
Sorte nossa, não da atendente do posto, que foi violentamente ofendida com a pergunta "Você sabe onde fica o Poço da Antas?" desferida pelo nosso colega Pavão. Oras, mas é lógico que sabe, ela está lá pra que???
O Sérgiô não se acabava de rir e encher nosso nobre colega, que desdenhava da função da atendente.
Quase 2 km de estrada depois, uma placa indicava o Poço das Antas.
Estávamos pra descobrir que não era um passeio para ser feito por pessoas desmotorizadas...
Até chegar no local, um tortuoso caminho com relativa quantidade de material pegajoso não-identificado impregnava os quatro rapazes. Fora a ameaça de tomar umas pedradas na cabeça, já que nas redondezas os caras produziam isso. O pior estaria pra vir na volta...
Foi então que no meio do caminho descobrimos uma placa no meio do mato escrito: "Proibido...". Não dava pra ver direito, pensávamos que era algo do tipo "proibido jogar lixo". Ao chegar mais perto pudemos ver com clareza: "Proibido cultos religiosos".

     

Por que diabos (ops!) alguém proibiria cultos religiosos? Vai saber, mas... Tem mais...
Finalmente chegamos ao Poço das Antas, e somos cada um assaltados em R$ 2,00.
Ao sairmos lá pelas 17 h, descobriríamos que a portaria estava fechada e era possível entrar livremente. Pequenos detalhes que fizeram nossa estadia mais feliz.
Tudo bem, tudo bem, era um local bem interessante...
Bastante verde, piscinas naturais, pedras, cama-elástica (hein?), pula-pula (han?) e um grande aviso: PROIBIDO CULTOS RELIGIOSOS. Esse foi a gota, seria piada pro resto da semana...
Que trauma de cultos religiosos será que esse povo tem?
Enfim, tomamos bem o cuidado de não esboçar nenhum sinal-da-cruz bem como de não ajoelhar para não sermos apanhados em flagrante.
Como eu estava azedo no dia, não quis entrar nas piscinas de água corrente que, segundo relatos, estavam com a água bem fria. Descobririam mais tarde que essa estava até quente...
Por ser perto da hora do almoço, fomos lá matar a nossa fome...
Como o Sérgiô diria, quem vai pra praia e não come camarão, não foi pra praia...
E comemos nossa porçãozinha de camarão, que estava muito boa, por sinal.

 

Trilha ecológica Claro que isso não foi o suficiente, e, emendando com o quarto litro de refrigerante cada um pediu mais um sanduíche, ficando todos felizes e de barriga cheia.
O Eduardo ficou mais feliz ainda, porque finalmente tomou uma caipirinha, depois de tanto perseguir uma bebida alcoólica... Esse aí é o legítimo pé-de-cana... Fora as conversas de bêbado estilo: "não, mas se for me comparar com os outros...". Tenha a santa paciência, Eduardo! Ah, vale lembrar que ele ficou alegre mesmo antes de tomar a caipirinha, foi algo impressionante, imagine o teor alcoólico disso...
Agora é que começa a aventura...
No meio da mata tinha uma trilha, tinha uma trilha no meio da mata... E lá fomos nós, devidamente lambuzados de repelente contra insetos, que não teve lá grande efeito.


   
A trilha subia, subia, subia... Logo de início tinha uma pontezinha com uns frágeis apoios (e, suponho, frágeis sustentações!).
Só pra constar, não tenho medo de altura, tenho pavor.
Mas, enfim, essa passagem seria tranqüila perto do que estaria pra vir... Lá pelas tantas tem uma passagem estreita sem apoios por cima de um buraco...
Com meu óculos do Sedex, não estava acostumado com a nova noção de distância, achei que a passagem era pequena, mas foi só entrar nela pra ter a nítida sensação de que ela teria crescido umas três vezes...
Travei e entrei em desespero. Suando frio e esbravejando, passei por essa maldição e já temia pela volta...
Mais um tempo de caminhada e somos presenteados com um aviso da Sabesp (isso mesmo, no meio do mato) indicando o fim de nossa caminhada. Mas, Eduardo e Pavão, com seus espíritos aventureiros descobriram uma descida que supostamente era uma trilha, e lá foram os dois... E assim foi o Sérgiô e eu, forçadamente.
Pela suposta trilha escorria um pouco de água, e era fácil escorregar.
Nessa hora todos reconheceram que meu hábito de andar de tênis era realmente valioso.
No fim do caminho haviam mais piscinas naturais e muito bonitas, inclusive (vide foto).

  Bilhete do famigerado "trenzinho roxo" Depois de passar um tempo, Eduardo e Pavão resolvem seguir o caminho das águas (poético, não?) para voltar lá pra baixo, enquanto eu arrasto o Sérgiô pra voltar pelo mesmo caminho de ida. A essa altura estávamos todos já devorados pelos insetos.
Como não poderia faltar uma maldição, o chinelo de estimação do Sérgiô arrebenta...
Seria um longo e tortuoso caminho de volta à civilização...
Novamente em terra firme, esperamos pela chegada das criaturas remanescentes.
Um tempo razoável esperando e nada de Eduardo e Pavão aparecerem, até que do meio das pedras surgem os dois e, digamos, em um lugar bem alto!
Estávamos torcendo apra ambos pularem, mas não foi algo que se concretizou.
O máximo que aconteceu foi ver o Pavão escorregando pelas pedras de uma maneira pouco usual. Pena que não deu tempo de tirar fotos!

   
Piscina natural dentro da trilha ecológicaOs dois no meio do caminho teriam se aventurado bem, saltando, escorregando e, claro, o Eduardo teve de salvar seus chinelos que quase foram levados pela correnteza outra vez.
E nada de fim do passeio, seguindo a dica da criatura do quiosque em que almoçamos, fomos perseguir a tal queda d'água na gruta... Mais um mini-tortuoso caminho e chega-se no tal lugar.
Apesar do desdém, Sérgiô adentra o local e quase se arrepende de sua existência ao ser presenteado com água em temperatura de congelamento na cabeça. Eduardo e Pavão não deixaram barato e também encaram o banho de água gelada.
Agora sim, fim de passeio! Mais alguns sorvetes de praxe e lá foi Sérgiô caminhando sem chinelos pelas pedrinhas do caminho até a estrada. Seu espírito deve ter sido purificado (será por isso que proíbem cultos religiosos?) até a chegada na civilização.

 

Sérgiô teria sua vida mudada completamente ao se deparar com uma loja de calçados no caminho: seria sua primeira aquisição de um legítimo par de Havaianas!
E nada de Trenzinho Roxo no caminho... Lá pelas tantas, depois de termos andado numa velocidade em muito superior à do Trenzinho, é que passou uma tranqueira dessas. E lá fomos sacolejando em direção ao lar, doce lar...
E nada como propagandas pregadas na porta da geladeira!
Descobrimos uma sorveteria que vendia picolés por atacado, e compramos logo 40 de uma só vez.
Posteriormente viríamos a adquirir mais 12 (para um só dia), fora os outros já consumidos.
Foram exatamente 68 picolés trucidados em menos de 3 dias, segundo as contas do Sérgiô.
Na ocasião surgiria também a lenda do temível "Homem do Sorvete".
Por algum motivo, quando fomos eu e o Pavão comprar os sorvetes, o funcionário da loja, conversando conosco, soltou que sabia que estávamos de férias em quatro pessoas (e ele conhecia a casa, de entregas passadas).


   
Desde então tivemos de redobrar os cuidados com a segurança, e, ao menor ruído estranho pela casa, era motivo pra ressurgir a lenda do "Homem do Sorvete".
Como talvez faltasse maldição para o Eduardo, o chuveiro foi logo quebrar enquanto ele tomava banho!
Pobre garoto... Pobre de todos nós no dia seguinte que teríamos de tomar banho frio!
Esquecemos de comprar um chuveiro novo...
Enfim choveu no final da noite. Chuva que duraria boa parte do dia seguinte! Estávamos decididos a ir embora no sábado.
Porém, desde quando chuva é sinal de mau tempo? Pro Eduardo e pro Sérgiô não são.
Seguindo à risca a idéia de que quando se vai à praia não se fica um dia sem entrar no mar, os dois ainda deram uns bons mergulhos, mesmo chovendo e com água fria.
Água fria que, segundo eles, estava era quente perto daquela que caía da queda d'água da trilha!
  Sérgiô com areia até o pescoço Apesar das incessantes tentativas de arrastar eu e o Pavão para o mar, ambos resistimos bravamente.
Prosseguimos com a leitura das intermináveis Superinteressantes que haviam no local. Intermináveis e desatualizadas! Era comum pegar alguém lendo uma edição de 1993, por exemplo...
Ao menos curiosidades não faltaram, inclusive a descoberta do Sérgiô, que bateu o olho num mapa da Ilha de Java e achou a cidade de Jakarta!!! É Apache Vacation Project na veia...

     
Sexta-feira    
     

Pavão enterrado (crime ecológico)Definitivamente o banho frio combinado com a chuva apressou as idéias de ir embora mais cedo (pelo menos pra mim)!
Com essa chuva toda nada mais justo que um carteado básico...
Essas férias foram extremamente proveitosas em termos de jogatina, já que aprendi uma meia-dúzia de jogos que não conhecia. Aprendi também que deve se tomar muito cuidado com o Eduardo, porque esse aí rouba no jogo que só vendo! Era perder a atenção por cinco minutos que a criatura enfiava meio baralho dentro da bermuda! Uma habilidade, no mínimo, assustadora.
Enfim, uma vez decidido ir embora no sábado, deveríamos liquidar com o que tinha sobrado de comida estocada, e assim foi feito.
Teria sido melhor, não fosse a vedete gastronômica das férias: a torta de coxinhas. Alguém consegue imaginar isso? Pois não tente, meu estômago revira só de lembrar. Foi só deixar o Pavão e o Eduardo sozinho pra eles aprontarem!
Saímos eu e o Sérgiô pra fazer umas compras finais, e quando voltamos nos deparamos com a "torta" em cima da mesa.

  Como alguém consegue transformar um punhado de coxinhas em uma torta? Eles conseguiram — por acidente, obviamente.
Depois de escorrerem o óleo seguidamente, ainda havia uma poça razoável no prato onde repousava a proeza. Bom, fazer o que? Estrago feito, o negócio era ingerir a gororoba...
Ao menos o Pavão fez uns hambúrgueres que saíram inteiros e o Eduardo fez um novo protótipo de arroz, dessa vez menos parecido com purê e mais com arroz.
Claro que não poderíamos deixar essa estadia passar sem um churrasco!
Decidimos então que faríamos no sábado, antes de voltarmos pra São Paulo.
Durante a tarde resolvemos pedir a carne pra que entregassem, já que estava chovendo.
Eduardo, porta-voz telefônico, foi incumbido da tarefa. Infelizmente não nos tocamos que picanha só é vendida em peças e o coitado teve que agüentar a gozação da mulher do açougue!
Esse foi o segundo fora telefônico... Eduardo enterrado
Depois ainda houve uma pequena disputa pela quantidade de carne a ser pedida, que só foi resolvida mais tarde, depois de muita discussão. Discussão proveitosa, aliás, pois a quantidade de carne veio na medida!

   

Enfim, mas esse foi o primeiro dos contratempos. Umas duas horas depois de confirmado o pedido, cadê a carne? Nem sinal... Ao ligar lá se verificou que a anta do moto-boy não tinha encontrado o endereço e voltou pro açougue (olha que serviço de primeira classe, nem ligam de volta pra avisar). Tudo bem, acontece, pedimos que voltasse mais uma vez. E voltou? Voltou e não achou de novo! É o cúmulo da estupidez, o cara viu duas casas, ficou em dúvida entre as duas e não tocou em nenhuma! Aí, já quase cinco horas depois do pedido lá chegava a carne dez horas da noite!
Moral da história: cuidado ao comprar carnes na Casa de Carnes Mongaguá.
Decidimos então fazer o churrasco naquele horário mesmo, já que deu tanto trabalho... A planejada macarronada ficaria pra véspera da viagem, afinal, é mais leve e mais fácil de preparar.
E dez da noite estávamos lá nos aventurando no churrasco. Assumi o posto de churrasqueiro e demos um novo significado ao BCC: Bacharelado em Churrasco da Computação.
Foi difícil limpar a grelha que estava lá, que o diga o Eduardo que usou um bombril e ficou alguns dias cheirando palha de aço. Enfim, enquanto o fogo acendia a gente pelejava com a grelha. Incrivelmente a estratégia de acender o fogo deu certo, ainda mais porque lá tinha um lendário álcool 96 GL.

 

Dia de faxina Primeiros espetos na brasa e uma discussão sobre se o espeto deveria ficar marrom ou vermelho. Ganhei a discussão com o vermelho, afinal eu comandava o negócio e vi que tava queimando! Mas ficou jóia, daí logo vieram os bifes de picanha, lingüiças e coração de frango, muito bons!
Um bife caiu no carvão, mas todo mundo comeu sem reclamar, consegui recuperar a tempo!
Enquanto a carne chiava, "interessantes" histórias sobre internações hospitalares circulavam ali: Eduardo e sua operação cardíaca, Sérgiô e a endoscopia, Pavão e os cigarros da família.
Acabada a carne, era hora de deglutir mais uma leva de picolés, sem dúvida um dos maiores achados dessas férias!
Fui dormir cheirando churrasco, mas feliz.
E sábado é um novo dia...


     
Sábado    
     
Performance do Eduardo limpando o banheiroComo já tinha acabado nosso suprimento de picolés, tivemos que comprar mais uma dúzia de emergência.
A macarronada por pouco não entra pra Teoria Gastronômica, se não fosse tão fácil de preparar. mas mesmo assim, surgiram teorias mirabolantes sobre o cozimento do macarrão, e algumas pessoas descobriram incrivelmente o que era um escorredor de macarrão! Se mostrar de onde vem o leite, eles não acreditam.
Enfim, fizemos o nosso "al dente" com muito sucesso, pra fechar bem a semana, logo depois daquele ótimo churrasco. O molho, anote aí, levou 3/4 de copo de requeijão cremoso e ficou muito bom. Tão bom que o Pavão não pensou duas vezes antes de arrebatar a panela e perguntar se alguém queria! Vamos dar um desconto porque afinal ele é o dono da casa...
Dia de limpeza! E dá-lhe desinfetante pela casa, varridas, lavação de louças... Ficou tudo tinindo, num esforço conjunto e bem distribuído.
Tudo certo em casa, faltavam apenas os milhões de cadeados e chaves para irmos embora... Trabalho pro Pavão evitar a entrada do homem do sorvete.
  E dá-lhe Trenzinho Roxo mais uma vez... Até que não demorou muito pra passar, mas pra chegar foi o mesmo deus-nos-acuda. Devia estar engraçada a cena daquele povo com malas enormes no trenzinho. Só pra constar, a minha era a mais econômica de todas!
Na rodoviária, descobrimos que deveríamos ser recebidos com "urbanidade" pelos "prepostos" da "transportadora"! O que não é um pouco de lição de português, não é mesmo? Até hoje ninguém teve coragem de olhar no dicionário o que vem a ser os tais "prepostos", mas para tanto foi eleito o motorista!
Descobrimos ainda que havia passagens com lugares duplicados, o que não condiz muito com a "urbanidade" com a qual deveríamos ter sido atendidos. Com a mesma "urbanidade" tomamos o cuidado de sentar em lugares não devidamente marcados.Eu enterrado na areia
Fim de viagem! Todos para o metrô, o Eduardo ainda iria pro Tietê e depois ainda pra Paulínia! Que aventura...

Ficamos por aqui, agradecimentos ao Pavão e sua família por ter cedido a casa para a temporada! Valeu!
     
Glossário    
     

Dada a existência de numerosos termos técnicos e/ou desconhecidos neste texto, elaboramos este glossário para eventuais esclarecidas.

BCC — Bacharelado em Churrasco da Computação.

QuickSort — Algoritmo rápido (jura?) de ordenação, que utiliza a técnica de "divisão e conquista", sendo ainda recursivo. Se você não sabe o que é algoritmo, desista, o trecho de texto não é pra você. Se sabe o que é, pode pegar o código do QuickSort aqui.

Preposto — [Do lat. vulg. praepostu.] Adj. 1. Posto adiante ou antes. 2. Anunciado ou dado previamente. 3. Preferido. * S. m. 4. Aquele que dirige um serviço, um negócio, por delegação da pessoa competente; institor. [Cf. preposição (3) e preponente (2).] 5. Bras. Representante, delegado: O preposto do bispo não mereceu a confiança da congregação. [Cf. proposto.].

 

Pressão — Pressão atmosférica, medida em Pascal (Pa) no Sistema Internacional (SI).

Refogar — Pergunte para o Eduardo.

Transportadora — [F. subst. de transportador.] S. f. Bras. 1. Firma ou empresa especializada em transportes de cargas: "De Jerônimo, chofer recifense da transportadora Ristar, da linha Recife-São Paulo, conta-se que foi multado na capital paulista por excesso de buzina" (Marcos Vinícios Vilaça, Em Torno da Sociologia do Caminhão, p. 31).

Urbanidade — [Do lat. urbanitate.] S. f. 1. Qualidade de urbano; civilidade, cortesia, afabilidade.

("Preposto", "Transportadora" e "Urbanidade" retirados do Dicionário Aurélio)

     
Elenco    
     

Eis as criaturas participantes dessa viagem:

Eduardo Gusmão Caceres Pires (eduardop)
Fernando Bertolli Petroni (incognit) — Pavão
Rodolpho Iemini Atoji (ratoji)
Sérgio Lopes Júnior (lopes) — Sérgiô

   
     

 

 

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